quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

As crianças

As crianças são uma coisa verdadeiramente interessante. Crescem e vão desenvolvendo o seu intelecto de uma forma maravilhosa. Passam por várias fases. Aquela que mais me encanta é a da descoberta das palavras. As crianças descobrem uma palavra e repetem-na vezes sem conta, em toda e qualquer ocasião, fingindo ser adultas, fascinando os adultos ao seu redor.

A criança decobre a palavra "puta" e, sem pudor, repete-a. Os adultos riem-se e acham-lhe piada. Só falta darem saltinhos e baterem palmas. Depois a criança aprende a palavra "cona". Ui! É o delírio dos pais. Até chamam visitas lá a casa para ouvirem o seu pequeno Einstein.

A criança repara que o que lhe sai da boca entretem os adultos e, por isso, habitua-se a ser o centro das atenções, com as luzes da sua ribalta sempre acesas. Depois algo estranho acontece. Aquelas palavras, que antes tanto divertiam os pais, passam a ser consideradas proíbidas e feias.

E o cérebro da criança começa a baralhar-se todo. A palavra é a mesma. A criança é a mesma. O que mudou para a palavra já não surtir o mesmo efeito? O que mudou foi que a criança cresceu. E começa um novo caminho cheio de novas aprendizagens para os seus pikatxus (o tico e o teco estão ainda em fase embrional).

A criança entra na Escola e aprende novas palavras, novos conceitos. A sua imaginação fervilha com novas informações. A sua curiosidade é aguçada. Quem lida quotidianamente com elas está sempre a aprender algo de novo sobre a mente e o universo juvenil, sobre a forma como o pensamento é desencadeado dentro daquelas cabeças minúsculas por uma qualquer nova informação que é recebida.

Então podemos assistir a diálogos destes (sobre o papel das mulheres na sociedade ateniense no século V a.C.):

Aluno: Então e o que acontece se a mulher de um cidadão trair o marido?

Professor: Depende. Se ele descobre ou não.

Aluno: Vamos imaginar que ele descobre.

Professor: Nesse caso, o cidadão fica muito contente e convida a mulher para um pic-nic (não reproduzo aqui a palavra piquenique porque a considero muito grande. Ops! Acho que acabei de a reproduzir!). Imaginem que era aqui na zona de Lisboa. Ele ia passear com ela até ao Cabo da Roca e, em grego, dizia-lhe: "Querida anda aqui à ponta ver o mar. É bonito, não é? Espreita lá para baixo! - e o professor faz o gesto de empurrar alguém.

A turma ri-se da piada, eis senão quando surge uma voz que diz:

Aluna: Óh! Ela podia saber nadar!

Toda a turma faz um gesto único ao olhar incrédula para as palavras da colega.

O que pensar perante esta situação? Chegou lá? É isso mesmo! Aquela aluna vai ser ministra!

Numa noite junto à Torre

Vi este vídeoclip pela primeira vez na Sic Gaja (vulgo Sic Mulher) e posso dizer que o mesmo me impressionou. Apesar de não ter estado presente no concerto, penso que o ambiente que se viveu naquela noite, naquele espaço, terá sido algo de único. Tenho pena de não ter estado lá, mas nesse dia (ou melhor, nessa noite) a preguiça falou mais alto e fiquei mesmo a fazer já nem eu sequer sei o quê.

Mas vale a pena rever o clip. Penso que a melhor forma de o escutar será tentar recriar o ambiente que existia naquela noite, por isso há que apagar as luzes, aumentar o volume das colunas e deixar a música entrar dentro de nós.
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DOSSIER REGICÍDIO - O PROCESSO DESAPARECIDO

Aproxima-se o primeiro centenário do Regocídio de 1908, em que foram assassinados o rei D. Carlos I e o princípe herdeiro D. Luís Filipe. Muitos são os livros que têm saído à estampa sobre o tema aproveitando o aproximar da data. De todos, o que aguardava com mais ansiedade foi hoje editado. Tem o nome de "DOSSIER REGICÍDIO - O PROCESSO DESAPARECIDO" e foi coordenado por Mendo Castro Henriques. No site da editora (Tribuna da História) pode ler-se o seguinte:


«Este livro, com 348 páginas e 400 ilustrações, resulta de dois anos de investigação de uma equipa que tratou cerca de 1.500 documentos, alguns inéditos, 400 artigos e opúsculos, e 60 livros, de arquivos públicos e particulares. Ultrapassando a história convencional das "causas" e a história "kitsch" das conspirações, o Dossier Regicídio concentra-se no processo judicial instaurado a 7 de Fevereiro de 1908, concluído a 27 de Setembro de 1910 mas desaparecido após a proclamação da 1ª República. Foram recolhidos os factos relevantes "julgados" pela imprensa, governos e oposição, partidos políticos, Maçonaria e Carbonária. Pela primeira vez são tratados e apresentados os relatórios e cartas dos juízes, agentes e informadores do Juízo de Instrução Criminal até 1910, sobretudo Almeida Azevedo, Abílio Magro, Jaime Tavares e Assunção Araújo. O resultado é a reconstrução do "masterplan" desde as reuniões de Paris de Novembro de 1907 até à nomeação do dissidente José de Alpoim como Procurador Geral Adjunto da República. Mostra-se como foi preparado, executado e depois silenciado um "crime quase perfeito". São avançadas hipóteses fortes como o facto de Buíça e Costa terem sido executados pelos "grupos de eliminação" e não pelas forças de segurança e a compra das armas pelo visconde de Pedralva. A equipa de investigação foi coordenada por Mendo Castro Henriques e contou com Maria João Medeiros que fez o levantamento iconográfico e Jaime Regalado, especialista de armamento. O historiador João Mendes Rosa esclareceu os meandros da Carbonária. O contexto histórico do crime foi estudado por Luiz Alberto Moniz Bandeira, catedrático da Universidade de Brasília.»

Ainda não o tenho em minha posse, mas aguardo a sua chegada para o ler com interessada curiosidade.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Tigres e Tigrezas

Hoje li no site de O Público uma coisa que me impressionou.

"Azambuja: Tigre à solta, depois de ter escapado da jaula, teve de ser sedado e já foi capturado".

Era esta a bombástica manchete da notícia. É nestes momentos que sinto orgulho em ser português e sentir o talento do nosso jornalismo de investigação. Ora vejamos e analisemos bem a manchete (já nem falo da notícia em si). "Tigre à solta, depois de ter escapado da jaula". Pois, lá está. Convém. Para o tigre estar à solta é natural que ele tenha escapado da jaula. Nunca vi nenhum tigre à solta dentro da jaula e além do mais seria um pouco estranho uma manchete que fosse "Tigre à solta, depois de ter entrado dentro da jaula".

Mas continuemos nesta breve análise. Segue a manchete: "teve de ser sedado". Porquê? O bicho estava muito nervoso? Ansioso? Realmente este país, da forma como está deprime qualquer um, até os bichanos listrados.

Finalmente a parte que mais me perturbou: "já foi capturado". Muito bem. As criancinhas já estão a salvo e o gatito já não as vai papar, está salva a criançada azambujense. Agora o que realmente me perturbou foi o seguinte. E para explicar bem a forma como isto me perturba, tenho que recuar uns anos e fazer algumas confissões.

Confesso que nunca mais fui o mesmo desde que um dia liguei o televisor e vi, em pleno horário nobre (espaço que deveria ser dedicado à apresentação de programas de altíssima qualidade), o José Castelo Branco em cueca fio dental. Recorri a psicólogos, fui internado e recebi tratamentos de descargas eléctricas, mas nada resultou. A visão daquela cena continua gravada na minha memória e tenho sofrido grandes danos psicológicos desde então.

Um dia, em compras no El Corte Inglés, vi uma criatura a comprar umas cuecas fio dental, estampadas de tigreza. Olhando para a figura do dito personagem, confesso que o cenário mais propício, ao imaginar alguém como ele trajando aquela vestimenta, seria de vómito sincero. Há quem realmente não tenha olhos na cara ou espelhos em casa? Bem... mas não quero entrar em juízos de valor, mas lá que devia existir uma comissão de estética nas lojas para aprovar quem devia ou não usar certo tipo de roupa, lá isso devia existir!

E pus-me a pensar. Imagino que aquele senhor não seja o único a usar aquele tipo de roupa interior. Aliás até o imagino já numa qualquer cena romântica, de gatas, a caminhar em direcção ao seu amor, dando algumas rugidelas, vestindo apenas a sua bela tanga listrada, com os pêlos a saírem e o fio meio entalado no... (lá vem o vómito outra vez)!

Adiante! É isso que me deixa preocupado! Então na Azambuja capturam um pobre bichano listrado, só porque é maior do que os habituais gatos domésticos e resolveu ir arejar para fora da sua jaula e, no entanto, deixam livres para percorrerem os mesmos espaços que nós essas outras criaturas, armadas em tigrezas, que todos os dias também saem das suas jaulas e até se dopam a si próprias e agradecem qualquer dose extra? É justo? Eu digo que não! É poluição visual senhores! Quem nos limpa a nossa cidade desse tipo de poluição? A Câmara Municipal? Uma empresa privada? Quem? Ninguém! E elas populam por aí livremente, agachando-se em plena rua para apertar os atacadores e deixando livres, para qualquer olho inocente mirar, a flora do seu rêgo? Sim! Porque estas criaturas teimam em usar calças de cintura descaída, vá-se lá entender porquê!

Os traumas que isto provoca numa sociedade mais incauta! Qual guerra colonial qual quê?! Existe algo que afecte mais a psique colectiva do que esta tigrezices? Deviam fazer uma tese de doutoramento sobre este tópico!

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Lucky Number S7evin

LUCKY NUMBER SLEVIN é sem dúvida um dos melhores filmes que já vi. Lançado em 2006, é escrito por Jason Smilovic e realizado por Paul McGuigan conta um óptimo rol de actores: Josh Hartnett, Bruce Willis, Lucy Liu, Morgan Freeman e Ben Kingsley, entre outros.

A história está muito bem concebida. Muito ao género do Conde de Monte Cristo, prende-nos desde o começo até ao final. Começamos por assistir ao que nos parece ser uma história de troca de identidades, em que um inocente é colocado no meio de uma luta antiga entre dois chefes da máfia rivais.

No entanto já diz o ditado que "nem tudo o que parece é". E assim acontece também com este filme. O enredo leva-nos a conhecer as desventuras de Slevin Kelevra, que ao vêr-se confundido com um outro personagem, passa por uma variedade de peripécias. A história adensa-se e começamos a perceber que afinal as coisas não são propriamente como julgávamos a princípio. Num ápice percebemos como a caça se torna no caçador e como... bem, não digo mais, o melhor é mesmo verem o filme.

Let's look at a treila:


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Esplanadar


Uma actividade da qual uma Slut se deve orgulhar é o esplanadar. Este verbo designa uma actividade fantástica que é, nada mais nada menos, que ficar esparrachado numa qualquer esplanada, a beber café, a conversar com os amigos, ou mesmo sem fazer nada, mas simplesmente ali ficar a levar com o sol nas trombas (logicamente com o seu acessório digno de deixar uma marca branca na face, na zona ocular, no pseudo bronze invernal). Há que esplanadar, mas com estilo!

Ora foi isso mesmo o que fiz neste fim-de-semana passado. Juntamente com um amigo meu rumámos até à terra dos Bernardos, Afonsos, Guilhermes, Rodrigos, Gonçalos e afins. Estão a ver qual é? Essa mesmo. Cascais!

Mas não é qualquer zona de Cascais que nos serve. Desta vez fomos à zona da Guia, mais precisamente à Casa da Guia. Gosto do espaço. Tem boas esplanadas e a vista é fabulástica!

Agora aquilo que mais gosto quando lá vou é o sentir que estou dentro dum programa da National Geographic. Um programa dedicado ao estudo daquele ser particular que habita os confins da Guia. É um ser interessante. À nascença, a grande maioria das crianças sofre uma trombose, pois só esse facto pode explicar o falar com a "boca torta" o respectivo "tialecto" cascaense.

Observar a indumentária também é algo fascinante. As fêmeas por norma cobrem-se com umas calças tipo montar, que enfiam cuidadosamente dentro dumas botas castanhas (a cor aqui é o essencial penso eu), rematando por norma com um chapéu que já se deixou de usar à 80 mil anos atrás. Os "machos" (coloco as aspas pois não me vou referir à vida sexual de ninguém) por norma usam o belo do sapato de vela, com umas calças de sarja da Dockers e a indispensável camisa de quadrados com o pulover por cima, não vestido, mas apenas a repousar sobre os ombros.

Mas realmente é interessante ver os hábitos desta fauna guiense. São muito chiques (dizem eles), vivem em casas aparentemente boas, com bons carros estacionados à porta (depois devem passar o mês todo a pão e água). Sim porque esta espécie vive essencialmente da imagem. No entanto, note-se, há algo estranho que acontece: fazem compras no LIDL (neste habitat deve lêr-se "éle i dê éle").

Enfim. Foi um final de tarde bem passado!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Do you remember this?

Hoje resolvi ter um momento de revivalismo dos bons velhos anos 80. So listen and tell me: do you remember this?




Recados e Imagens - Engraçadas - Orkut

Que Slut não gosta de ter um belo Tarzan a gritar por si?

A boquinha aberta! A cabeça a dar a dar! Hmmmm! Até fico com os calores só de pensar! Só me apetece dar um grito à Cinha Jardim (o verdadeiro grito Slut)!

A adopção

Qualquer Slut que se preze deve primar pela sua acção social e ecuménica. Ora bem. Foi o que hoje resolvi fazer. Já o ano passado fui ao canil municipal buscar a minha bitch. Mas isso não bastou e resolvi então, para começar bem o dia, adoptar um animal virtual.

Escolhi o Panda. Basta clicarem no bichinho ao lado e vão ver que ele reage. Porquê o Panda? Porque não? Portanto a resposta até é simples. Porque sim. Porque me apeteceu! Porque ele é giro!

Claro que uma Slut não pode ficar por respostas tão simples. Temos que andar actualizados com o que é o politicamente correcto. Então, para alimentar o sentido Slutariano da universalidade cósmica, escolhi o Panda porque é um animal que verdadeiramente corre perigo. E como habita na China, acaba quase por ser um chamamento social para as questões dos direitos humanos na China, tipo "Free Tibet" e tal. Ainda não percebi muito bem esta associação de ideias, mas também é natural que assim seja, pois uma Slut só começa verdadeiramente a funcionar após o meio dia!

Mas aqui está o meu Dildo (salvo seja). Porquê este nome para um ursinho (ou direi ursão) tão estimável? Apenas e só por um único motivo: todas as Sluts devem ter o seu dildo... e agora eu tenho o meu!

domingo, 27 de janeiro de 2008

O Psicanalista

Se há um livro que me marcou em 2007 e que posso, sem qualquer sombra de dúvida, considerar como um dos melhores livros editados no ano passado, foi "O Psicanalista" de John Katzenbach.

A sinopse do livro vem na contra-capa e reza o seguinte:

«Um 53º aniversário muito feliz, senhor doutor. Seja bem-vindo ao primeiro dia da sua morte».O psicanalista nova-iorquino Frederick Starks acaba de receber uma misteriosa e ameaçadora carta. Sem perceber como, nem porquê, a sua vida rotineira é lançada ao caos. Encontra-se no centro de um jogo diabólico, concebido por um homem que se intitula Rumplestiltskin. Este jogo tem as suas regras: no prazo de duas semanas Starks tem que descobrir a verdadeira identidade do autor da carta e a razão da sua fúria. Se conseguir, fica livre. Se não, Rumplestiltskin destruirá, um a um, os seus parentes mais queridos, a menos que o psicanalista aceite suicidar-se. «Uma coisa pode ter a certeza. A minha fúria não conhece limites.»Ignorar a ameaça não é uma opção. Starks entra numa autêntica corrida contra o tempo, onde se vê à mercê do perverso jogo de vingança de um psicopata que controla as suas contas bancárias, os seus pacientes, a sua casa e a sua reputação. Nada nem ninguém está a salvo.»



O que me impressionou neste livro? Além de ser uma história muito bem conseguida e na qual se pode aplicar o provérbio "quando o feitiço se vira contra o feiticeiro", o que mais me impressionou foi a capacidade que o autor teve de explorar a história com a riqueza das personagens e a complexidade das mesmas, o que me leva a pensar num ponto: é um génio com certeza por escrever uma obra desta envergadura e que nos prende da primeira à última página. Mas também deve ter o seu lado perverso e insano bem activo para ser também capaz de criar tal trama!

Somos levados por esta história de dupla vingança! Damos por nós numa primeira fase a lamentar a sucessão de episódios que atingem o personagem principal e, numa segunda fase, a planear com ele uma vingança pelo mal que nos fizeram.

Tirando isto o que nos faz pensar este livro? Como um erro feito algures no nosso passado, um erro do qual nem nos apercebemos por vezes, pode vir no futuro a ressurgir, apresentando os seus efeitos de uma forma arrasadora.

Quantas vezes paramos nós para pensar que todas as nossas acções acarretam consequências? Todas. Desde as mais corriqueiras, como a roupa que escolhemos para vestir, ou o caminho que tomamos em determinada altura, até às mais complexas, muitas vezes a nível profissional.

Pessoalmente costumo dizer que não me arrependo, por norma, daquilo que faço, mesmo que as consequências não venham a ser as desejadas. Não me arrependo porque as decisões que tomo, tomo-as em circunstâncias irrepetíveis, e como tal, únicas, por isso não posso arrepender-me de uma opção que numa determinada altura tomei, pois ponderando o conhecimento da altura, foi a melhor opção. Posso sim vir a lamentar essa decisão, pois o resultado não foi o esperado. Mas esse lamento é feito com conhecimento de mais informação que não existia aquando da tomada da decisão.

De que nos servem este tipo de pensamentos? Servem-nos de martírio para quando as coisas correm menos bem. Porque quando o resultado é positivo, ninguém pensa na conjuntura em que a decisão foi tomada. Mas uma coisa tenho aprendido, se bem que por vezes custa -la em prática. Temos que ser mais audazes, não ter medo do resultado. Agir de acordo com o nosso sentimento. Pois assim a acção será mais pura. Mas da mesma forma temos que ter a abertura de espírito para aceitar as consequências quando elas nos caiem em cima e a humildade de pedirmos desculpa e dizermos "errei" e aprender com esse erro.

Este livro fez-me pensar muito. Mexeu com o meu intelecto. Mexeu com todo o meu ser. Talvez porque quando leio um livro me embrenho de tal forma na história que acabo quase que por a vivenciar como se fosse minha. Mas afinal é para isso que as grandes obras existem: para nos identificarmos com elas e, de uma maneira ou de outra, reflectirmos sobre aquilo que somos enquanto seres humanos.

É um livro que vale a pena!

Slut fashion

Uma das coisas que uma Slut deve ter em atenção é a sua aparência. Não só porque vivemos num mundo em que cada vez mais a imagem vende, tanto a nível profissional mas também a nível pessoal, como também por uma máxima que uma tira de pulso comprada já há uns anos na H&M diz: "look your best - who said love is blind?".

E é bem verdade. Mas como fazer para mantermos o nosso melhor numa altura de crise financeira? Fácil. Recorre-se às compras online. Há imensos sites que nos ajudam a manter um exterior mais apetecível a nível dos trapos que nos cobrem o corpo. Pode-se comprar de tudo, desde roupa, calçado, acessórios, jóias, tudo se compra e há sempre alguém disposto a vender.

Agora há um alerta a fazer. Há algo que temos que ter em atenção. Nunca comprar nada fora da Europa, pois arriscam-se a pagar taxas de alfândega e assim deixa de compensar o comprar online, pois a vantagem neste tipo de compras é a diferença de preços que se consegue encontrar para com as lojas ditas tradicionais.

Deixo aqui alguns links em áreas diferentes para as Sluts se deliciarem:

http://www.visual-click.com/index.php?idioma=pt

http://www.asos.com/Man/

http://www.luxo24.com/

http://www.jeans-online.pl/

Estes são apenas alguns exemplos. Uma pesquisa bem cuidada na net vale sempre a pena. Há que ter em atenção sempre o seguinte: despesas de envio (quando as há), locais de entrega (infelizmente para muitos sites Portugal continua a não existir como destino de entrega), e meios e prazos de devolução, bem como os respectivos reembolsos.

Agora há que aproveitar! Boas compras! Até lá listen to the music!

sábado, 26 de janeiro de 2008

Praia!

O que fazer numa tarde fria de Inverno em que o Sol brilha?

Hipótese 1: ficar em casa, no quentinho, a dormir.
Hipótese 2: andar pelo meio das ruas da cidade.
Hipótese 3: ir até à praia.

Não sei que hipótese escolheriam. Qualquer uma delas é válida. Eu escolhi a terceira. Peguei na toalha de praia, num livro, na cadela e lá fui eu assentar arraiais no areal da Praia Grande.

Foi só chegar à praia, deixar a cadela correr pela areia que nem uma maluca. Arranjar um bom lugar. Recostar-me. Aproveitar o calor do raios solares que entram em contacto com a minha pele. Abrir o livro e passar assim o resto da tarde a apreciar o momento.

O que me faltou? Aquela companhia especial para o momento ser partilhado a dois e, para finalizar o quadro, um qualquer "Ambrósio" para servir um drink!

Do men come with an expiry date?!

Esta frase surgiu em tempos numa conversa que tive com um amigo meu. Será que os homens vêm com algum prazo de validade estipulado e nós não conseguimos ver? Se o trazem, ele devia vir bem expresso e num local bem visível, tipo a testa, numa espécie de código de barras, onde viesse a informação "consumir de preferência antes de", ou então, "este produto provoca severa indigestão após".

Mas não. Nada disso acontece. Pelo contrário. A validade é bem escondida e camuflada sobre aparentes sorrisos e frases simpáticas. E acabamos por nos interessar por produtos fora de validade ou prestes a expirar.

No entanto isto só demonstra o quanto estamos ignorantes da palavra do Senhor. A culpa é de nos termos afastado da religião, por causa desta sociedade cosmopolita e citadina em que vivemos hoje em dia.

Descansem que não vou entrar em puritanismos religiosos nem nada que se pareça. Porque me refiro então a uma questão religiosa em algo que, aparentemente, vai contra os ditames da religião católica (e não só)?

A resposta é muito simples. Como adverte o livro do Génesis, todo o ser humano tem prazo de validade e defeito de fabrico. Ora lá está senhores! Eis aqui a informação que durante séculos temos teimado em não ver.

Que o homem tem defeitos de fabrico isso toda a gente sabe. E não me refiro ao dito pecado original bíblico. Mas está à vista. Basta percorrer as ruas de qualquer cidade que, uma Slut bem atenta, vai descobrir esses ditos defeitos de fabrico e com os quais, muito lamentavelmente já se terá cruzado na vida.

A novidade que emerge desta palavra do Senhor é a do prazo de validade. Ora é isso que dá que pensar. Ele bem nos quis alertar! Mas teimámos em não ouvir (pela simples razão que ninguém anda por aí a ler a Bíblia a torto e a direito).

Crescemos a ouvir como a vida vai ser simples. A história é sempre a mesma: boy meets girl, girls meets boy, boy likes girl, girl likes boy and the live happely ever after! Ora uma pessoa vai tomando conhecimento do mundo e da sua realidade e esta cantilena começa a sofrer algumas adaptações, nomeadamente, boy meets boy, etc e tal!

E até começa por ser assim. Conhecemos alguém que nos interessa, que nos desperta certo tipo de sentimentos. Parece ser mútuo. A conversa torna-se agradável. Só que a certa altura surge aquele MAS. É sempre assim. Ele é muito querido e coiso e tal mas... e aqui muda tudo! Há sempre algo que se começa a apontar ao outro e parece que a lista só tende a aumentar. E o prazo de validade é atingido!

No fundo porque acontece isto? Podem ser várias as razões. Porque estamos constantemente a tentar procurar no outro aquilo que achamos que nos falta e vamos projectando falsos ideais que acabam sempre por ruir mais cedo ou mais tarde? Porque simplesmente não procuramos conhecer o outro e aceitá-lo tal como ele é, sem o tentarmos moldar naquilo que achamos que gostaríamos que ele fosse? Porque simplesmente não estamos para aí virados?

Muitas vezes o resultado é sempre o mesmo. Só serve para amigo! E arranjamos justificações para tentar explicar nem sabemos nós muito bem o quê? Às vezes os nossos próprios receios e o medo de arriscar porque um dia o fizemos e saímos machucados.

A cantilena que parecem ensinar não se coaduna com a cantilena real. Essa devia ser: boy meets boy, they have animal sex and they never speak to eachother again! Ou então: boy meets boy, they fuck their brains out and if the sex was good they may think they are friends!

Acho que os cães são mais saudáveis que os humanos. Com eles é realmente tudo mais simples. Conhecem-se. Cheiram o cu uns aos outros, abanam as caudas e ficam felizes!

Dá que pensar!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O rio Piedra

Há alturas em que penso que não sou uma Slut normal. A sério! Para terem um exemplo. Li "O processo" do Kafka quando tinha uns 13 anos e aos 14 já tinha lido "Os miseráveis". Confesso que comecei a ler um pouco tarde. Recordo-me de, ainda criança, os meus pais me terem oferecido livros e eu não ter gostado porque os livros não tinha "bonecos", como eu dizia na altura.

Adorava os livros de banda desenhada, principalmente os do Asterix ou do Lucky Luke. Divertia-me a ler todas estas histórias, que me fascinavam, juntamente com os bonecos da Playmobil.

Comecei a ler relativamente tarde. Mas quando comecei não mais parei. E como penso que é natural, comecei por ler os livros que havia em casa, devorando a biblioteca dos meus pais. Iniciei-me então na leitura pelos ditos clássicos. Autores como Steinbeck, Dumas, Forsyth, Malaparte, Pearl S. Buck, Moravia, Tolstoi, passaram a fazer parte do meu universo. Dar o salto para os clássicos portugueses foi tarefa fácil e, de todos, Eça é o meu preferido.

Leio rápido. Por norma sigo o ritmo de um livro por semana. Mas há alturas em que a leitura é mais rápida. E é de uma dessas alturas, nomeadamente de uma noite mal dormida, que venho aqui falar.

Houve um dia em que estava com dificuldades em adormecer. Bebo café à noite e depois passo o tempo deitado na minha cama, às escuras, a olhar para o tecto e a tentar adormecer. Nesse dia resolvi pegar num livro que já tinha comprado há algum tempo, mas que ainda não tinha tido oportunidade de ler. Refiro-me ao Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei, do Paulo Coelho.


E porquê falar deste livro? Vinha eu a conduzir, do trabalho para casa, quando dei por mim a pensar na ironia das coisas. Eu que cedo li autores que muita gente nem sequer pegou, deixei-me impressionar por uma obra com uma escrita que considero bastante simples.

Para quem não leu, do que fala este livro? Conta-nos a história de uma história de amor. Dois personagens principais, Pilar e seu companheiro conheceram-se na infância, afastaram-se na adolescência, e - onze anos depois - tornam a se encontrar. Ela, uma mulher que a vida ensinou a ser forte e a não demonstrar seus sentimentos. Ele, um homem capaz de fazer milagres, que busca na religião uma solução para os seus conflitos. Os dois estão unidos pela vontade de mudar, de seguir os próprios sonhos, de encontrar um caminho diferente. Para isto, é preciso vencer muitos obstáculos interiores: o medo da entrega, a culpa, os preconceitos. Pilar e seu companheiro resolvem viajar até uma pequena aldeia nas montanhas - e trilhar o difícil caminho de reencontro com a própria verdade.

Porque me deixou a pensar este livro? O que faz uma obra grande? A complexidade das palavras e da escrita utilizadas ou a universalidade da mensagem que transmite? Penso sinceramente que qualquer texto que nos faça parar um pouco, olhar para nós próprios e nos faça reflectir ou mudar algo nas nossas vidas, ou seja, um livro que acaba por nos influenciar de alguma maneira, é um bom livro.

Este, como disse, é um livro simples, com uma história simples. No entanto a mensagem que transmite é forte. Um apelo a lutarmos contra a tendência fácil do comodismo em que muitas vezes caímos na nossa vida, inclusive a nível emocional. O dom de arriscar, de vencer o medo, de caminhar em frente, de ser audaz, de lutar por tudo aquilo em que acreditamos, de vivermos a vida de peito aberto, de não desperdiçarmos os dias que passamos neste mundo.

É um livro simples. Uma escrita simples. Mas dá que pensar!

Ho"menage"m

Hoje começo por algo simples. Vou compartilhar um vídeo que já vi em tempos e que considero um pequeno toque de génio!

Trata-se de uma singela homenagem àquele ser estranho que coabita connosco e que dá pelo nome de GAJA.

Ora bem vistas as coisas, uma Slut que se preza tem que prestar uma sentida homenagem às suas congéneres, não de sigla, mas da verdadeira tradução da palavra (lá vou eu ser trucidado pelas ditas por esta pequena provocação, o que vale é que é tudo feito com muito amor e carinho).

Ao longo do tempo a mulher foi vista e pintada de diferentes perspectivas, mas sempre foi uma temática muito apreciada e abordada pelos grandes artistas do nosso mundo ocidental. Curiosamente muitos deles com preferências homossexuais (dá que pensar)!

E bem vendo o vídeo, com tanta gaja lá representada uma pessoa pensa, a bem pensar, se aquilo é uma homenagem ou apenas uma projecção freudiana dum ménage por parte do autor do clip. Pois que não sei. Mas gostei. Quanto mais não seja pela simples razão que considero que não conseguiria fazer uma montagem destas.

Apreciem!

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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

La Brusketta

Como é praticamente hora de jantar, venho falar de mais um restaurante de que gosto em Lisboa.

Diz o Lifecooler sobre este espaço:

«Restaurante inaugurado no início de 2003, vem introduzir no roteiro gastronómico lisboeta uma especialidade italiana pouco divulgada entre nós, a bruschetta. Trata-se de uma iguaria muito apreciada em todas as regiões de Itália, cuja base é uma fatia de pão tostada, barrada com alho e azeite. Os complementos podem depois ser os mais diversos, tantos quantos a imaginação ditar. O restaurante "La Brusketta", situado junto ao Largo do Rato, propõe uma vintena de variedades, incluindo algumas mais "aportuguesadas", como a bruschetta de morcela e pimento, que se fazem acompanhar por batatas fritas cortadas em palitos muito finos e cebola, também frita e fina. Aproveitando o espaço de um antigo edifício, procedeu-se às necessárias obras de remodelação mantendo a pedra original da casa. O resultado é um espaço francamente bonito, com uma decoração elegante, marcada pela conjugação entre a pedra, presente no chão e em grossas colunas, e o mobiliário de design em madeira. A sobriedade do espaço ganha cor com os enormes quadros representando diferentes tipos de bruschettas e seus ingredientes, ornamentando as paredes.»
Quanto a mim considero sinceramente que é um bom espaço. O ambiente é agradável. Adoro as entradas (umas mini-bruskettas e uma coisa qualquer feita com esparguete e ovo). Come-se muito bem e, no geral, não o considero caro.

No entanto... (e lá colocamos os defeitos no final... é tudo muito bom mas há sempre um MAS a apontar) este restaurante tem para mim dois grandes defeitos.

Dando primazia à minha gula, um dos grandes defeitos que aponto a este espaço são as sobremesas. São pouco variadas e nada de especial. Uma pessoa depois de ter apreciado a boa comida ao jantar espera, como é lógico, poder degustar também uma bela sobremesa. Mas tal não acontece. Criam-nos expectativas com o prato principal e depois defraudam-nas com a sobremesa.

A segunda crítica que aponto prende-se com o atendimento. É rápido e eficiente mas frio. E a frieza dos funcionários choca um pouco. Pode-se ser um profissional eficiente sem se ser um bloco de gelo, ainda para mais numa profissão que exige contacto com o público. Um sorriso aberto a receber os clientes faz toda a diferença. Faz-nos sentir bem-vindos e com vontade de voltar. Não podem esperar que a comida faça tudo. É certo que é de boa qualidade, mas o atendimento também cativa e prende clientes.

É um espaço ao qual também sugiro uma visita. Sempre se ganha em conhecer um espaço novo.

Thirteen Tales of Love and Revenge

Hoje começo por vir compartilhar e falar de um novo CD que ouvi recentemente e do qual gostei bastante. Refiro-me ao Thirteen Tales of Love and Revenge, das manas Catherine Pierce e Allison Pierce. Elas constituem as The Pierces, uma banda sediada em Nova Iorque, apesar de serem originárias da cidade de Birmingham, no estado americano do Alabama. Este seu terceiro CD apresenta um estilo meio para o alternativo com uma mistura do folk e do pop rock.

O single mais conhecido deste álbum é capaz de ser a faixa n.º 2, "Boring", mas como o próprio nome indica, este CD traz 13 faixas com uma sonoridade bastante interessante:

1. Secret

2. Boring

3. Sticks & Stones

4. Lights on

5. Lies

6. Turn on Billie

7. Ruin

8. Three Wishes

9. The power of...

10. Kill! Kill! Kill!

11. It was you

12. Boy in a rock and roll band

13. Go to heaven


Slut que é Slut deve ouvir este CD. Deixo aqui uma pequena amostras com o videoclip "Sticks and Stones". Escolhi este videoclip por duas razões muito simples: não cair na tentação de colocar o badalado "Boring" e porque este, se repararem bem, no início, passa um pouco de algumas das outras faixas do CD. Apreciem.


Music Videos - Sticks and Stones

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Vida de professor

Não sei porquê, mas corre a ideia na praça pública e na opinião do comum dos mortais que os professores têm uma grande vida neste nosso cantinho à beira mar plantado.

A sério que não entendo onde vão buscar semelhante pensamento. Acredita-se com todas as forças que um professor pouco ou nada trabalha e que, ainda por cima, recebe um alto ordenado.

A parte do se pensar que um professor trabalha pouco ainda consigo compreender, uma vez que a parte mais visível do trabalho do professor (as aulas em si) até parece não dar grande trabalho. No entanto, todos parecem esquecer-se do trabalho de bastidores que é sempre necessário fazer para conseguir cativar uma turma de 28 índios cuja única preocupação na vida, na grande maioria das vezes, é inventar novas e diversificadas maneiras de sabotar o trabalho do professor.

Claro que há excepções. E ainda bem que as há. E elas existem de ambos os lados. Existem alunos interessados e participativos, tal como existem professores baldas. Todas as profissões (neste caso as de aluno e de professor) têm os seus bons e maus profissionais.

Agora aquilo que me faz mais confusão é acharem que os professores auferem um altíssimo vencimento. De tal forma deve ser assim que todos os professores que se prezem têm, por norma, um automóvel da marca Audi, Mercedes-Benz, BMW, SAAB, entre outros do género. É verdade. Todos têm o seu. Mas por norma costumam deixá-lo na garagem e, com medo que os alunos risquem a sua preciosidade automobilística paga com o salário de um único mês de trabalho, costumam utilizar um mais corriqueiro Renault Clio, Fiat Punto, Opel Corsa e afins para se deslocarem até à Escola onde leccionam.

Tirando alguma da ironia expressa e retomando o pensamento inicial, a ideia de que os professores ganham muito é algo que me deixa muitas vezes perplexo, pois o professor têm o seu índice de pagamento tabelado, como qualquer profissão na Administração Pública. É só procurar e ver.

É vontade de falar sem conhecimento de causa? É inveja? Se é inveja não percebo o porquê. Ser professor é mesmo uma profissão que só quem é Slut alguma vez pensou ter.

Para ajudar algumas mentes menos iluminadas vou compartilhar um vídeo que me enviaram e que, de uma forma cómica relata o que muitas vezes é a realidade da vida de um professor. Ora prestem atenção!


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Diferenças

Hoje resolvi colocar aqui um artigo que já escrevi há uns bons anitos. Pediram-me para escrever sobre os problemas que afectam as famílias modernas e o choque que eles trazem à sempre visão tradicional familiar que, quer queiramos quer não, trazemos quase que imbuída nos genes, fruto da nossa herança judaico-cristã.


«Pai, mãe, dois filhos. O pai trabalha, a mãe ocupa-se da gestão da casa e da educação dos filhos. Este era até há não muito tempo atrás o modelo de família perfeito. Nas últimas décadas do século XX este modelo veio sofrendo alterações profundas que acompanharam também o evoluir da sociedade moderna. Hoje em dia são variadas as questões com que o tradicional modelo familiar se debate. Isto não significa que anteriormente estas questões não existissem já no seio familiar, a diferença está em que, actualmente, elas são alvo de uma discussão mais aberta a nível social.
Questões como a droga, a sida, o monoparentismo, o alcoolismo, a homossexualidade ou a violência tocam, em maior ou menor grau, todas as famílias, indiferentes a raças, credos ou classes sociais. A grande diferença está na forma como cada família acaba por lidar perante esse novo desafio que o destino lhe coloca. Quando este surge, tudo parece desabar: sonhos projectados e planos sonhados acabam assassinados por uma realidade mais fria e cruel do que a do sonho, uma realidade em que todos sofrem. Por norma, a primeira reacção costuma ser sempre a da rejeição em que, ao procurar ignorar o facto, se espera que este simplesmente não exista. Uma segunda reacção apresenta características mais egoístas, surgindo sempre a questão do porquê, porquê esse que vem sempre acompanhado da expressão “a mim”. Depois segue-se o sentimento de culpa, “onde errei?”, que afecta todos os elementos do grupo familiar, uns por sentirem que desapontaram, outros por se acharem defraudados. Vem depois o grande e verdadeiro desafio, em que a estrutura familiar, pais e filhos, em que todos mostram a sua verdadeira maturidade e capacidade de se amarem e respeitarem. Chega a altura em que se repara que nada mudou, em que muitos dos nossos medos e receios são injustificados, em que o grande “problema” apenas não passava de um pequeno pormenor. Nada mudou, todos continuam os mesmos que eram antes do supracitado desafio. A diferença está em que o que antes era o consumidor segredo de uns passou a ser a verdade conhecida de todos.
Costuma-se dizer que o óptimo é o inimigo do bom ou, por outras palavras, não existem famílias perfeitas, antes pelo contrário, atrever-me-ia a dizer, se a expressão me é permitida, que a perfeição está na imperfeição familiar. Quero com isto dizer que todas as famílias têm situações com as quais são forçadas a lidar no seu quotidiano, situações essas que vêm, de uma forma ou de outra, abalar a tranquilidade familiar. Este abalo é, em grande medida, salutar, pois uma família é constituída por indivíduos que, apesar de partilharem fortes laços afectivos desde o nascimento, têm identidades e personalidades distintas. É na aceitação destas diferenças e no respeito pelas mesmas que se vai fortalecendo o elo que nos une aos nossos familiares. Para rematar convém apenas relembrar que, antes de julgar os outros, nos devemos lembrar que não somos perfeitos e que, um dia, poderemos ser nós a ser julgados pela nossa intolerância para com aqueles a quem, no passado, apontámos o dedo apenas pela razão de existir a diferença, mas que nunca parámos para pensar quem realmente será diferente: se nós, se os outros?!»


Para ilustrar este texto resolvi usar um dos trabalhos daquele que considero ser o melhor fotógrafo que existe no site http://www.olhares.com/ (J.P.Sousa). Espero que ele não leve a mal a ousadia.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Uma questão de altura!

Chega uma altura na vida de qualquer Slut em que temos que renovar aquele cartãozinho que traz a nossa dedada e que dá pelo belo nome de Bilhete de Identidade.

Hoje resolvi ir tratar da renovação do meu, uma vez que estava prestes a caducar. Saio do trabalho e o primeiro passo a ter é o excitante mundo de tirar uma foto com ar de parvo ou de condenado que me vai marcar a identidade pelos próximos cinco anos.

E assim foi. Entre o sente-se nesse banco, endireite as costas, incline a cabeça "práqui" ou "práli" e a eterna discussão entre o "sorria" e o "não me apetece" lá se tirou mais uma fotografia tipo passe, daquelas rápidas, em que uma pessoa acaba sempre por ficar com ar de anormal ou de que veio de outro planeta.

Segue-se depois o passo de ir tratar da renovação propriamente dita. Decidi-me por ir ao Areeiro, ao invés de me ir enfiar numa das confusões de uma das Lojas do Cidadão.

Chego lá. Tiro a senha. Faltam ainda 50 pessoas serem atendidas até chegar a minha vez. Na boa. Aquilo ali até que anda rápido e não se espera muito.

Vou comprar os impressos. Ponho-me a preenchê-los. Para não variar muito engano-me no concelho de nascimento (o tico e o teco não andavam a funcionar lá muito bem) e sento-me a jogar Tétris no telemóvel à espera que chegue a minha vez.

Lá toca a sineta correspondente ao meu número e lá me dirijo para o balcão correspondente. A senhora (que não devia estar nos seus dias, ou então, pelo contrário, até estava "naqueles" dias) confirma os dados, olhando para o monitor do computador. Manda-me assinar o novo cartão. Suja-me o indicador de tinta. Faz-me deixar a minha marca em ambos os papéis (ao menos evoluímos face aos animais e já não precisamos de andar a urinar pelos cantos para deixar a nossa marca). Preenche o recibo e entrega-mo com o seu belo ar trombudo dizendo um frio "está pronto na sexta".

Muito ingenuamente (quem me manda abrir a boca?) pergunto: "então não me mede?". Ela mira-me de alto a baixo e replica: "acha que com a sua idade ainda cresce?". Eu não sei que ar de indignação fiz,ou que olhar lhe lancei, o certo é que ela acrescentou: "a não ser que esteja mal medido, venha daí".

E lá fui eu atrás da senhora para ser medido. Encostei-me. Ela põe-me aquela coisa na cabeça. Olha-me para os sapatos e exclama: "cresceu um centímetro" e lá foi toda carrancuda alterar-me a altura no impresso (a sério que fiquei com a impressão que a senhora deve ser pré-orgasmática).

Um centímetro senhores! Um centímetro! Pode ser pouco mas é meu! Tenho direito a ele e já mo queriam roubar! Dizem que o tamanho não interessa... mas é um centímetro! O meu centímetro! O certo é que não deixei que mo tirassem. Por isso exclamo a plenos pulmões: Sluts deste país, reivindiquem os vossos centímetros em falta! Tenho dito!

História de Portugal

Nos tempos que correm, em que tudo é feito a correr, pelo menos na Cidade tudo corre e para tudo se corre, não admira que as pessoas não tenham tempo nem oportunidade para saberem um pouco sobre a História do seu país.

Para anular esta tão grave falha e recorrendo à moda de condensar tudo em pouco tempo, aqui a Slut resolveu dar uma ajuda aos mais desafortunados que passam pela vida a correr, ensinando-lhes em pouco tempo o essencial da História de Portugal!

Ora vejam:

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Les Mauvais Garçons

No Lifecooler podemos ler o seguinte:

«Um café-restaurante "très-chic" no coração do Bairro Alto, onde as especialidades são espanholas, o prédio é tipicamente português mas a inspiração é francesa e revivalista (a lembrar os anos de ouro do século passado). Um espaço cosmopolita e carismático, entre a Travessa dos Fiéis de Deus e a Rua da Rosa, com ambiente intimista e decoração à moda antiga. Ele há mesas quadradas de mármore, cadeiras clássicas de madeira e cadeirões de pele. Também há fotografias a preto e branco nas paredes, jarras com rosas sobre as mesas e paredes envidraçadas, por onde a vida e alma típicas deste bairro português encontram o restaurante. Chama-se Les Mauvais Graçons, mas aqui é "tudo bons rapazes"...»



O que posso eu dizer deste espaço?

Conheci-o já no Verão em que fui lá, de noite, tomar café com um amigo. E posso dizer que fiquei encantado com o espaço, a simpatia com que fui recebido e o ambiente familiar que se respira neste espaço.

Certo dia, estava eu com uma amiga minha, a decidir onde haveríamos ir jantar quando me lembrei de sugerir irmos ao Les Mauvais Garçons. Se eu já gostava do espaço, passei também a gostar da comida. Diga-se de passagem que a minha amiga adorou. Tudo tem o seu pequeno toque de originalidade, até na forma como a ementa nos é apresentada!

Temos lá ido com alguma regularidade e, essa frequência, faz-nos já sermos recebidos com um sorriso aberto por quem gere o espaço. De dia para dia nota-se uma maior familiaridade entre clientes e funcionários. Conversa puxa conversa e aos poucos passa-se aquela barreira formal que acaba por existir sempre num estabelecimento comercial. Grande louvor merece nesse aspecto a minha amiga, pois fala espontâneamente pelos cotovelos, ao passo que eu sou um pouco mais reservado a princípio.

Tem tudo o que gosto. O espaço é pequeno o que o torna mais acolhedor! Respira-se uma simpatia e familiaridade no ar. Sinto-me bem-vindo lá. Quase que "desejado"! Come-se bem e as sobremesas têm vindo a melhorar (o que para mim é um óptimo sinal e a minha gula aprova)!

Dá para se ir ao final da tarde e beber um chá (a gama é algo variada e são todos bons). Pode-se ir um pouco mais tarde e jantar (com entradas, prato, bebida e sobremesa não se pode dizer que saia caro). Ou então ir antes de começar a noite e beber um copo!

Visitem, vale a pena conhecer!

I Kill Ya!

Muito tempo se pode passar a navegar na internet. Há muito lixo neste meio e que não interessa nem às formigas africanas. Mas lá se encontram coisas bem divertidas, como este vídeo que aqui deixo e que em tempos vi no youtube. Vale a pena ver/ouvir com atenção... e até ao fim!

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domingo, 20 de janeiro de 2008

SHORTBUS

Venho aqui falar de um filme que vi em DVD pouco antes da passagem de ano.

Uma amiga minha já me tinha falado dele e, numa noite passada em casa dela, surgiu a oportunidade de ver o filme.

É um filme bastante interessante. Na minha opinião muito bem conseguido. Alternativo. Com uma história bem estruturada.

Como disse alguém que me é muito especial: é um filme meio doido mas tem uma moral linda!"

Do que trata então este filme que aconselho a qualquer um?

Basicamente é um entrançado de histórias sobre a pele, melhor dizendo, sobre o que não passa para além da pele. Pode parecer um bocado tonta esta associação, mas quem acabar por ver o filme com bons olhos repara que tenho razão.

Sofia é uma terapeuta sexual mas nunca teve um orgasmo. Depois de muitos anos a fingi-los com o marido Rob, Sofia conhece Severin, uma dominatriz. Entre os seus clientes, encontram-se James e Jamie, cuja relação começa a conhecer novos horizontes. James sugere uma relação a três com Ceth, mas Jamie está relutante. Todas estas personagens se encontram no Shortbus,
um clube "underground" onde se misturam arte, música, política...e sexo.

Shortbus” de John Cameron Mitchell explora as vidas de diversos personagens emocionalmente desafiados enquanto navegam por cómicas e trágicas intersecções entre o amor e o sexo em torno de um salão subterrâneo dos tempos modernos.

O DVD, numa edição especial encontra-se à venda na Fnac e penso que é um título indispensável numa qualquer boa videoteca!

Mas o filme é também uma história de amor e é sobre essa parte do filme que apresento o seguinte vídeo, com uma das melhores músicas do filme, para aguçar o apetite.


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Sluts and the City

Sluts and the City.

Porquê?

A cidade é Lisboa! A sua luz, as suas ruas, o movimento e o que nela acontece.

As Sluts somos todos nós que nela habitamos ou apenas vivemos momentos da nossa vida!

O que é uma Slut?

Uma Slut é a sigla daquilo que somos "Sweet Little Unforgetable Thing".

Aqui vão-se postar alguns pensamentos que a cidade motiva numa Slut, a forma como ambas interagem e se transformam no dia a dia.

No fundo vai-se tratar um pouco das relações humanas e da forma como estas se sucedem tendo como pano de fundo o habitat em que vivemos: a cidade!

É permitido o humor mordaz, alguma acidez e algum sarcasmo, ironia inteligente e tudo o mais que no momento pareça correcto de ser utilizado neste espaço!