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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Dá-me um abraço


Dá-me um abraço que seja forte

E me conforte a cada canto

Não digas nada que o nada é tanto

E eu não me importo

Dá-me um abraço fica por perto

Neste aperto tão pouco espaço

Não quero mais nada, só o silêncio

Do teu abraço

Já me perdi sem rumo certo

Já me venci pelo cansaço

E estando longe, estive tão perto

Do teu abraço

Dá-me um abraço que me desperte

E me aperte sem me apertar

Que eu já estou perto abre os teus braços

Quando eu chegar

É nesse abraço que eu descanso

Esse espaço que me sossega

E quando possas dá-me outro abraço

Só um não chega

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

I lost a friend...

Cantava uma vez Sérgio Godinho, com um brilhozinho nos olhos, que havia feito um amigo e que coisa mais bonita no mundo não havia. E é verdade! Aquele calor que sentimos quando fazemos uma nova amizade é algo inegualável!

Pior que perder um amor é perder um amigo! Eu neste ano perdi os dois! Perder um amigo é como perder uma parte de nós, como se algo nos fosse arrancado, fazendo-nos verter lágrimas de sangue, tamanha é a mágoa que se sente pela perda. É demasiado doloroso para tentar verbalizar, de forma correcta, aquilo que se sente quando se perde um amigo.

Afinal o que é um amigo?

Um amigo é um irmão; é a nossa bengala quando estamos coxos; é um ombro onde podemos chorar; é aquele abraço forte que nos recarrega as energias; é aquele que se senta ao nosso lado sem dizer palavra, apenas para não nos sentirmos sós; é aquele que nos aceita como somos; que gosta de nós por sermos como somos; é aquele que não tem medo de nos dizer "gosto de ti" ou "fazes-me falta"; é aquele que nos faz sentir uma pessoa melhor; é aquele que é atencioso connosco; é aquele que nos ajuda apenas e só porque quer o nosso bem; é aquele que procura a nossa companhia, porque ela o faz sentir bem; é aquele que se preocupa connosco, que nos "carrega" no pensamento. Um amigo é tudo isto e muito mais...

Perder um amigo é perder uma parte de nós! E nós ficamos impotentes enquanto uma força maior nos decepa um membro, ao mesmo tempo que tudo tentamos fazer para o evitar! É ter o brilho nos olhos, não provocado pela alegria de viver, mas pelo desenho de uma lágrima. Perder um amigo é ficarmos mais pobres!

Como diria Florbela, "Sinto hoje a alma cheia de tristeza!" e acrescenta mais no final:

«Ó chuva! Ó vento! Ó neve! Que tortura!
Gritem ao mundo inteiro esta amargura,
Digam isto que sinto que eu não posso!!...»

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Pergunta e resposta

Li uma vez o seguinte no perfil de um bloguista:

"I just wanted the whole world to be happy... Why is it so hard?"

Eu responderia com outra questão:

- Porque domina o egoísmo e as pessoas não sabem ser sinceras?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Diálogo a dois (via sms)

Eu - Tens razão. Acho que não te consigo ver só como amigo. :-(

Ele- Não digas disparates. Dá tempo ao tempo. Por favor. Beijos.

Eu- Não te consigo imaginar com alguém ao lado e sentir-me feliz por ti.

Ele- Não te preocupes com o que ainda não aconteceu. Até lá, ambos trabalhamos o que me parece ser bom manter. A Amizade. Beijos

Eu- Mas eu quero-te como mais do que amigo :-(
Eu- Tou fodido (desculpa a expressão)

Ele- Tenta relaxar.

Eu- Tu não me estás a querer ouvir :-(

Ele- Porquê?

Eu- O que te disse eu? O que me respondeste tu?

Ele- Eu sei que me queres mais do que como amigo! Mas eu não posso mudar isso... Tens que ser tu! Eu só posso ajudar. E estou a tentar.

Eu- Eu disse-te que não vou conseguir mudar isso

Ele- Se não consegues mudar é porque não tens força suficiente. Se a minha ajuda também não é suficiente, não sei que mais fazer ou dizer. Apenas que EU quero tentar.

Eu- Não percebes ou não estás a querer entender. Mesmo que não o diga sabes que gosto de ti. Adeus.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Pensamento do dia


As amizades são como barcos a remos, só navegam em frente quando são os dois a remar, quando é só um a remar anda-se à volta e não se sai do mesmo local!

domingo, 6 de setembro de 2009

O império do medo III

É um livro que me tem feito pensar bastante. Não porque seja um romance de uma intemporalidade profunda, mas apenas porque coloca por palavras muitos tópicos sobre os quais eu há muito já pensava e com os quais, de uma forma geral, concordo bastante.

O medo controla-nos na vida. um medo que tem várias origens e que se manifesta em diferentes alturas da nossa vida, com maior ou menor força. Não sei ao certo quando surge esse medo na nossa existência. Talvez surja quando, pela primeira vez, nos comparamos com o outro e, por qualquer motivo nos sentimos diminuídos.

Diz-nos Eckhart Tolle que «o medo manifesta-se na forma de um inquietante e constante sentimento de não ser digno ou suficiente bom». E isto é bem verdade! Conhecemos alguém por quem nos começamos a interessar e, de repente, temos medo daquilo que nós próprio sentimos, não só porque sentimos que nos escapa um pouco ao controlo, mas também (e talvez essencialmente por isso) por não nos sentirmos dignos ou suficientemente merecedores das atenções que sobre nós recaem.

Estes receios levam-nos a fazer tremendos disparates. Numa primeira reacção instintiva, quase animal, perante o receio que pressentimos face ao que começamos a sentir, temos tendência a nos afastar. Esse afastamento, por muito subtil que seja, é percepcionado pelo outro o que, por sua vez, o leva também a retrair-se um pouco.

Então entra-se um pouco numa fase despesista, em que, seja de que maneira for, se procura apagar o medo de perdermos e/ou não sabermos lidar com o que sentimos numa tentativa de se compensar o vazio que se sente por dentro, fruto do medo e alimentado por ele. E então começamos-nos a sentir inseguros.

Esta insegurança vai transfigurar-se em diferentes perspectivas. Vamos começar a duvidar de nós e do que sentimos e não só isso, mas começamos a duvidar mesmo da força daquilo que sentimos. Logo de seguida ficamos com medo do futuro, de não termos certezas quanto ao futuro e, por norma, o ser humano gosta de ter as suas certezas. Só que acabamos por nos esquecer de algo bastante importante, tão absortos estamos nos nossos receios e projecções futuras. O tempo não passa de uma ilusão, por isso devemos-nos centrar naquilo que realmente é o importante, o Aqui e o Agora.

Eckhart Tolle dá uma resposta ao porquê da importância do agora. Diz-nos ele «porque é que ele é a coisa mais preciosa? Em primeiro lugar, porque é a única coisa. É tudo o que existe» (...) «o espaço dentro do qual toda a sua vida se processa» (...) «a Vida é agora». Por isso enquanto estamos a projectar os nossos receios num futuro incerto e inexistente, estamos a perder a nossa oportunidade de viver o agora, de sermos felizes agora, que afinal é o tudo que temos mesmo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A nova agenda social

Os tempos mudam e com eles mudam também os comportamentos e as formas de convivência entre as pessoas. Recordo-me, por exemplo, quando eu era mais pequeno chegava-se ao fim-de-semana e as pessoas iam passear e/ou, se o tempo o permitisse, fazer uns pique-niques (para não usar o inglês pic-nic). Durante a semana brincava-se na rua sem medo de assaltos, raptos pedófilos ou atropelos por um autocarro. Andava-se de bicicleta, faziam-se carrinhos de rolamentos, tocava-se à campaínha e fugia-se! Era uma existência vivida fora de quatro paredes, na rua, em contacto com os amigos e convivendo ao ar livre. A televisão também só começava mais tarde e iniciava sempre com a tele-escola (que era uma estupada que ninguém aguentava).

Hoje em dia tudo mudou! A juventude tem uma vida social muito mais activa!

A juventude passa a maior parte do seu tempo na Escola (os mais adultos nas universidades e os mais adultos ainda nos seus locais de trabalho) onde se convive com amigos e colegas! Depois, quando este período do dia termina começa a verdadeira animação e o verdadeiro convívio entre os jovens. Nos portões da escola, entre um e outro palavrão corriqueiro com que hoje em dia a juventude nos presenteia, (em que um "caralho" "foda-se" significa um "estás bem gajo?") eles despedem-se com um até já!

Porquê até já? Porque eles vão a casa mudar de roupa e depois irem brincar ou conviver juntos? Não! Porque assim que chegarem a casa, vão vegetar frente a um computador para continuarem a conversar, mas através do msn! Ou então vão ver os "aifaives" uns dos outros, pra verem se alguma coisa foi acrescentada desde a última vez em que os tinham visto (provavelmente uns vinte minutos antes).

Hoje o convívio e o conhecimento das pessoas faz-se através dos computadores. Parece que de um momento para o outro toda a gente deixou de ser capaz de falar uns com os outros sem ter uma máquina pelo meio! A sociedade comtemporânea vive uma doença relacional! Com os computadores as pessoas sentem-se protegidas e têm permissão para criar mundos e universos alternativos, onde possam viver, esquecendo-se das tristezas da sua vida e tentando eliminar recalcamentos ao pensarem que são o que sabem não ser! Depois quando passam a um contacto presencial frustram-se, pois perderam essa capacidade de se darem a conhecer e de aceitarem o outro como é. E então desvaloriza-se a pessoa e valoriza-se a máquina, algo quase como se "eu só existo enquanto tenho um computador para poder falar", sem ele não se existe! E depois ainda se estranha que se viva hoje em dia uma profunda crise de valores! Enfim...

O que fazer perante uma situação como esta? Não sei... Eu cá vou às compras!

sábado, 31 de maio de 2008

Com um brilhozinho nos olhos...

Há um texto, de autor desconhecido, que conta a seguinte história:


«Disse um soldado ao seu comandante:

-"O meu amigo não voltou do campo de batalha. Meu comandante, solicito autorização para ir buscá-lo."

Respondeu o oficial:

-"Autorização negada!" "Não quero que você arrisque a vida por um homem que, provavelmente, está morto!"

O soldado ignorando a proibição saiu e uma hora mais tarde voltou mortalmente ferido, transportando o cadáver do seu amigo.

O oficial estava furioso:

-"Eu não lhe disse que ele estava morto?!"

-"Diga - me, valia a pena ir até lá para trazer um cadáver?"
E o soldado, moribundo, respondeu:

-"Claro que sim, meu comandante! Quando o encontrei, ele ainda estava vivo e disse-me:

- Tinha a certeza que virias!"

"Um amigo é aquele que chega quando todos já se foram."»


Faz hoje uma semana em que consegui uma das coisas mais maravilhosas deste mundo - fazer um amigo! Passámos juntos um dia memorável! Um daqueles dias em que as almas se unem! Foi com pena que o me tive que apartar dele! Senti esse pesar apenas por uma razão: porque ainda vão passar uns meses até termos oportunidade de voltarmos a estar juntos! Mas foi bom, poder estar com alguém com quem nos sentimos bem, sem necessidade de agradar e o tempo passar sem se dar por isso, no meio até de brincadeiras mais pueris! E realmente é das coisas mais fantásticas que existe: sentir que se fez um amigo! Pois são eles que nos dão o colorido à vida e, sem eles, não somos nada nesta vida!


I miss you my sweet friend!