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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dá gosto ser português

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,

E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:

«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,

Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»

E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,

E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme

E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O preço da Liberdade

Já lá vão 34 anos desde que um grupo de militares, em revolta face a uma questão de pagamentos se reuniu, dando origem a um movimento que, depois de politizado e partidarizado, acabou por desembocar naquilo que ficou conhecido como a Revolução dos Cravos, no ano de 1974 a 25 de Abril, que veio colocar o fim a um regime e instituir um outro em seu lugar.

Não venho aqui discorrer nem sobre política nem sobre as motivações do que realmente foi a Revolução de Abril de 74. Venho falar do "pós". Uma análise rápida e sintética do que transformou este país que dá pelo nome de Portugal.

De um Portugal "amordaçado" vieram-se retirar essas mordaças e daí surgiu o grito. O país gritou a alto e bom som, como se pode ver no primeiro primeiro de Maio após o 25 de Abril, ou seja, o 1 de Maio de 1974. Depois desse grito estrondoso, em que quase 50 anos de receios e medos eram libertados passou-se a uma espécie de 10 anos de marasmo no país. 10 anos em que houve uma luta pelo Poder no país.

Chegamos então a 1984/85 em que houve finalmente alguma acalmia. Houve uma melhoria económica graças não só ao trabalho do FMI em Portugal, mas principalmente graças à posterior entrada de Portugal na CEE, com os seus respectivos fundos.

De lá para cá as coisas são o que se tem visto. Entrou-se num rotativismo político que provoca os mesmos danos que provocou em finais do século XIX: um desgaste da vida política, dos políticos, dos partidos, das instituições e de tudo o que lhes esteja directa ou indirectamente ligado. A generalidade da população afasta-se do intervencionismo que caracterizou os tempos imediatos a Abril de 1974, em que as pessoas sentiam e notavam que verdadeiramente poderiam fazer a diferença. Hoje em dia acomodaram-se e numa conversa sobre política surge sempre a máxima "são todos iguais!".

A nível social houve também uma clara (des)evolução! As pessoas na euforia do seu grito descobriram que tinham direitos. Começaram a manifestar esse sentimento em cada ocasião que se lhes apresentava. Transmitiu-se às gerações mais novas o ideal desses direitos e da sua natural reivindicação. Passou-se do 8 ao 80. Esqueceu-se que, aliados aos direitos também vêm os deveres. Mas falar em deveres ou alertar para a sua existência foi considerado como sendo "salazarista", "fascistas" e outros "istas" que tais. Foi o erro. Ainda não se encontrou um meio termo. Pior que isso. Parece notar-se que ao poder político não importa que se alcance esse meio termo. Compensou-se essas falhas com alguma ilusória prosperidade material, em detrimento daqueles que seriam os verdadeiros valores de uma verdadeira democracia.

Não interessa ao Poder Político ter uma sociedade instruída e interventiva, livre da permeabilidade propagandística. Torna-se mais difícil governar assim. Mais difícil conseguir rápidas fortunas. No entanto eu penso que deveria ser bem mais apelativo governar um país que se preocupasse com o seu futuro, que soubesse intervir e cumprir as suas obrigações em prol do melhor futuro para esse país.

Muitas vezes parece-me que se governa não em prol de um ideal comum do país, mas antes em beneficio dos interesses político-partidários.

Temos a democracia que merecemos e que deixámos que construíssem à nossa volta. Resta saber se o preço desta tão aclamada liberdade realmente compensa ou se, na prática, não estamos a hipotecar o futuro ao criarmos um país de acomodados que na prática continuam a viver com medo?

quinta-feira, 20 de março de 2008

É uma Escola portuguesa com certeza

Hoje li no site de "O Público" uma notícia que, se por uma lado me deixou estupefacto, por outro em nada me surpreende. Aconteceu na Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, e remete para a violência com que uma professora é agredida por parte de uma aluna, que se revolta devido à professora lhe ter tirado o telemóvel (que toda a gente sabe ser um material escolar muito necessário para ser usado em aula?).

A notícia remete para um vídeo que circula no Youtube e reza o seguinte:

«O episódio foi filmado por um dos estudantes presentes na sala, ouvindo-se repetidamente a aluna em causa a gritar para a professora: “Dá-me o telemóvel já”. Durante minutos os alunos nada fazem e limitam-se a assistir à cena em pé. Ouvem-se risos e alguém comenta: “Isto é demais, ouve lá!”. Ao fim de algum tempo, um grupo de alunos tenta separar as duas pessoas envolvidas. Aumenta a confusão e ouve-se um dos alunos a avisar: “Olha que a velha vai cair”, referindo-se à professora.»

Já várias vezes referi em conversas particulares que a grande maioria das pessoas não faz ideia do que é uma Escola em Portugal nos dias que correm. A Ministra da Educação, no Parlamento, escusa-se a responder às questões dos deputados eleitos pelos cidadão, dizendo que responde com obra feita. Será este o resultado da sua obra? É este o objectivo que se pretende para a dita reorganizaçao e qualificação do ensino em Portugal? É isto que vai aumentar a nossa produtividade e competitividade enquanto país?

Responsáveis pela Educação virão provavelmente a público dizer que situações destas são casos pontuais e que não correspondem à maioria das escolas. É certo que ainda não acontece em todas mas, principalmente nos grandes centros urbanos, cenas destas repetem-se quase quotidianamente em muitas das escolas, em que os professores, totalmente desprovidos da sua autoridade por decretos ministeriais, se vêem impossibilitados de reagir, porque desgraçado do professor que se lembrar de, numa situação destas, levantar a mão contra o aluno, pois leva em cima com um processo disciplinar e ainda vai acabar por ter que pedir desculpas públicas ao ofendido (entenda-se, na visão do Ministério, o aluno).

É triste! Profundamente triste! Não só pela reacção da aluna, mas principalmente pela atitude da turma em si. Mas enfim! De acordo com as "doutas" palavras da Senhora Ministra da Educação, os resultados escolares dos alunos são um ponto importante e do qual não abdica na imposta avaliação do desempenho docente. Que avaliação irá ter esta professora (porque imagino que aqueles alunos não sejam grandes génios)?

Mais triste ainda é o papel dos pais, que falham e se desligam completamente da educação dos seus filhos, não lhes transmitindo qualquer valor (mas sobre isso falarei num outro dia). E é esta a geração que um dia nos irá governar! Realmente só vejo uma saída para Portugal: EMIGRAR!

É o país que temos... e que merecemos?!?!


terça-feira, 22 de janeiro de 2008

História de Portugal

Nos tempos que correm, em que tudo é feito a correr, pelo menos na Cidade tudo corre e para tudo se corre, não admira que as pessoas não tenham tempo nem oportunidade para saberem um pouco sobre a História do seu país.

Para anular esta tão grave falha e recorrendo à moda de condensar tudo em pouco tempo, aqui a Slut resolveu dar uma ajuda aos mais desafortunados que passam pela vida a correr, ensinando-lhes em pouco tempo o essencial da História de Portugal!

Ora vejam: