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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Terá Eckart Tolle razão?

Respondendo a uma pergunta feita num outro blog. Terá Eckhart Tolle razão nas coisas que afirma? Não sei. Dele só li apenas um livro, "O poder do Agora". É um livro interessante, não porque traga algo de muito novo, mas porque consegue condensar em palavras muito do que no fundo passa pelo senso comum duma inteligência emocional maturada.

Em certa medida dá-me vontade de dizer que o nome lhe faz jus. Eckhart Tolle é um Tolo. Mas tolos todos o somos. Por isso, essa não poderá ser a verdadeira resposta sobre se ele terá ou não razão no que afirma.

É certo que o que ele afirma nos faz pensar, o que, aliás, é o objectivo dos seus escritos, no entanto, a meu ver, há uma enorme falha em toda a sua obra. As pessoas não são iguais, não funcionam como meros mecanismos autómatos em que, mexendo aqui e acolá, tudo ficará perfeito.

O ser humano é feito de imperfeições, que existem e sempre existirão. E aí falha, porque não há manuais, não há receitas sagradas para resolver as coisas, nem tudo é tão simples como ele o afirma. Ao dizer "basta fazer" parece quase um psicólogo de terceira numa sessão com alguém depressivo em pleno ataque de pânico!

É certo que o ser o humano tem tendência para complicar o simples, e fá-lo com medo (medo esse que tem origens diversas). É certo também que esses medos nos fazer perder oportunidades que por vezes são únicas e que só nos apercebemos disso quando já as deixámos passar.

Dará mesmo para separar o corpo da mente? A mente do corpo? Quem controla quem se ambos estão interligados e um não funciona sobre o outro. Não sei... é como disse, não há receitas mágicas!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Um poema triste em prosa



Várias maneiras há de viver! Um dia nascemos e, nesse dia, choramos pela primeira vez nas nossas vidas. Depois vamos crescendo e aprendendo a viver! Fazemos amigos, que vão e vêm! Então julgamos que vivemos! Fazemos tudo aquilo que esperam de nós, que nos dizem para fazer, e então vivemos...

Chega um dia que conhecemos alguém e, esse alguém, por qualquer motivo, é diferente dos outros e vai entrando na nossa vida, aninhando-se no nosso ser! Então, desabrochando como uma flôr, nascemos de novo e descobrimos o que é viver!

Neste novo viver sentimo-nos leves e, tal como a borboleta, voamos a cada olhar, a cada toque, a cada sorriso, a cada beijo, a cada pedaço do outro que nos faz vibrar! E vivemos... vivemos felizes!

Depois parece-nos díficil acreditar que essa felicidade existe e temos medo do que sentimos crescer em nós, desse gostar do outro, desse vibrar! E temos medo!

E esse medo leva-nos a retrair o sentimento, a olhar a volta à procura de algo, de uma confirmação e, no meio dessa nossa busca, deixamos de reparar no que realmente interessa: que gostamos de alguém! E melhor, que esse alguém gosta de nós! É tão raro, e tão maravilhoso quando assim acontece! É uma jóia a ser estimada!

E o medo volta a ganhar avanço! Quase que num sentimento de auto-punição, por acharmos que não merecemos essa felicidade, esse sentimento, vamos alimentando o medo, que nos faz afastar do essencial e alimenta a dúvida! Continuamos a gostar... e muito... mas temos medo!

E então perdemos tudo e não conseguimos voltar atrás! Choramos juntos, sofremos afastados pela mesma coisa! Ninguém morreu, nada é definitivo, mas falta-nos a coragem para acreditar! E deixamos o medo vencer!

O medo vence e ficamos vazios! Completamente vazios por dentro. O brilho some-se do olhar, o sorriso desaparece dos lábios e fica a dôr, uma dôr imensa, uma dôr intensa, que é custosa de aplacar!

Gosto de ti... e tu gostas de mim... Porquê esquecer o essencial e alimentar a dôr? Esta dôr que ecoa no vazio que ficou em mim e, que por certo, também existe em ti! Por certo haverá algo melhor para preencher este vazio que não leva a nada e é apenas fruto do medo!

Je t'aimais, je t'aime, je t'amerai!

Um beijo grande!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Monalisa smile

Nem sempre estamos bem! Isso é um facto que toda a gente sabe! Todos temos os nossos períodos azuis e rosa (picassiando um pouco os termos), mas nem toda a gente se apercebe deles. Porquê? Porque acontece esta desatenção dos outros face aos nossos estados de espírito? Resposta simples, digna de um sonoro "duh"! Porque as pessoas não estão para aí viradas, andam entretidas com os seus próprios estados de espírito para se preocuparem com os dos outros, simplesmente não querem saber. Todos o fazemos assim em certa medida!

Mas porque tendemos a esconder o nosso estado de espírito? Para esta questão existem diferentes possibilidades de resposta. Por um lado porque não queremos parecer fracos aos outros e, quando estamos mais vulneráveis/tristes, tendemos a esconder isso, porque é algo que parece que não é socialmente bem aceite nos tempos que correm! Quase como se houvesse uma norma que corta o direito a alguém de estar triste e de o afirmar! Não tem nada de mal! Está-se triste. E depois? Que mal tem? Tal como a alegria é efémera, também a tristeza passa. E há depois o jogo das antíteses: para haver alegria tem sempre que haver algures uma tristeza, uma não existe sem a outra, pois só conhecendo ambas desenvolvemos a capacidade de as identificar.

E então sorrimos! Sorrimos não com um sorriso triste, nem com um sorriso alegre. Simplesmente ginasticamos os lábios, esticando-os numa posição que se assemelha a um sorriso. Os olhos brilham de dor, mas a nossa expressão facial é serena e acompanhada por um sorriso renascentista, impávido e sereno, como se estivéssemos à espera que nos tirassem o retrato. A diferença é que, desta vez, não estamos com o nosso fato domingueiro!

E assim passam a maior parte das pessoas na maior parte dos dias! Se nos sentarmos num banco numa rua e observarmos quem passa, vamos constatar isso! As pessoas passeiam-se pelas ruas envergando o seu sorriso de Monalisa! E isso é triste! É socialmente triste! Antropologicamente triste! Porque as pessoas até se podem rir, mas as pessoas riem-se quando alguém lhes conta algo engraçado, é algo passageiro! No entanto, as pessoas sorriem, com um sorriso aberto e sincero, quando verdadeiramente estão felizes!

Mas não se pode falar disto! Não se pode estar triste! É um pecado social! Por isso vamos todos continuar com o nosso sorriso davinciano!